Esse texto vai mostrar um dos lados bons de Nietzsche, a sua forma de pensar em conjunto com a linguagem, e uma discussão a respeito disto. Nietzsche é um filósofo alemão, importante pensador do século XIX, que escreveu inúmeros livros de cunho filosófico para tentar entender grandes problemas da filosofia, como: O que é o belo? O que é real? O que é moral?
Muitos leigos em filosofia - inclusive eu me incluo nesse grupo -, acham Nietzche um filósofo com uma linguagem extremamente complicada, sem ordem, bagunçada. As obras são completamente desprovidas daqueles arranjos cartesianos de disposição de idéias, sem capítulos, sem introdução, sem conclusão, tudo misturado. Você pode pensar que existe um livro pra cada questão que Nietzsche quer responder, porém não, ele tenta responder tudo de um vez ao longo de várias obras.
Mas por que isso seria uma qualidade e não um defeito? Há uma ideia engenhosa de Nietzsche para explicar o porque ele escreveu do jeito que escreveu. Nietzsche acreditava que a consciência é uma parte ínfima de um todo infinitamente maior, esse todo é o subconsciente - vale lembrar que essas idéias de Nietzsche vieram antes de Freud -. Uma analogia, é pensar numa câmera fotográfica sobre o deserto do Saara, em algum momento dá-se um zoom e a câmera focaliza uma determinada região de 1 cm², aquela região para Nietzsche é o que ele chama de consciência, e todo o resto do Saara é o subconsciente. Mas pode vir-lhe a cabeça a seguinte questão, quem controla a câmera? O eu, é o ser consciente, então, não pode ser-lo o executor de tal tarefa. Nietzsche respode dizendo que o "fotógrafo" é a sua vontade de potência, que significa basicamente as nossas oscilações emocionais cotidianas, nossa vontade de viver, e essas variações são comandas por aquilo que lhe alegra e aquilo que lhe intristesse. A ideia de Nietzsche é que o eu não deve comandar os seus textos, quem deve controlar é o "fotógrafo", é a sua vontade de potência que deve levar-lhe ao deserto inteiro para tentar entender as grandes questões da filosofia, onde, novamente, o eu consciente é apenas um parte minúscula. Nietzsche justifica isso em uma das suas primeiras obras. Vale lembrar também, que talvez Nietzsche tenha escrito o que escreveu por causa da forma como escreveu.
A proposta do Blog anterior - e ainda hoje - é ter textos estruturados, cartesianos, que tenha referências na maioria das vezes, bem construídos e que tenha um certo nível de imparcialidade - embora isso não seja sempre possível -, aqui eu trago outra tendência, a escrita com base no pensamento filosófico de Nietzsche, é uma tentativa de explorar novos tipos de texto, e também tentar explorar o subconscinete do escritor - e da escritora - que vós fala, escrevendo o que lhe vem a mente, num processo que foi denominado por Kant como "razão pura". Os textos que tiverem seguindo essa escrita terão alguma indicação.
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